Flavia Castelo Blog Inova mundo As Lições de Bogotá Medellín do caos à referência mundial

A(L)TITUDE

Acabei de chegar da Colômbia. O principal objetivo da viagem? Conhecer as cidades objeto de tantos encontros acadêmicos e discussões entre colegas de trabalho, estudo e amigos. Ver o que li em “As Lições de Bogotá e Medellín: do caos à referência mundial”.

 

E vi! Muito rápido, mas vivi: em apenas dois dias na cidade natal de Pablo Escobar, me reuni com professores do Observatorio de Seguridad Humana da Universidad de Antioquia, desbravei o Jardim Botânico, andei pelo Parque de los Deseos, conheci de perto a história do Centro de Desarrollo Cultural de Moravia, percebi uma iniciativa bem sucedida de jardim de infância em comunidades mais vulneráveis, visitei o que eles chamam de Unidade de Valorização Articulada – uma espécie de centro comunitário, subi de escada rolante a Comuna 13 (a nossa favela) e desci de tobogã, usei o sistema integrado de transporte – que inclui ônibus, metrô e teleférico, fui apresentada às ações e programas da Secretaria de Seguridad e Cidadania e ainda estive na casa dos clubes de futebol Atlético Nacional e Independiente Medellín – para me inteirar do sistema de segurança no estádio.

 

Em Bogotá, senti a altitude e que os citadinos têm muita atitude: pedestre, bicicleta, transporte público, carro particular – é esta a ordem que impera nas ruas, cenário de muito uso e ocupação para feiras, esportistas, restaurantes e festivais. Fomos ao Parque da Biblioteca Virgílio Barco e parece que estão querendo bater o recorde de pipas no ar!

 

Você pode estar se perguntando ‘parque da biblioteca?’ e eu explico: eles têm bibliotecas-parque. É uma rede de espaços verdes de arte, cultura, esporte, leitura e sociabilidade. De amor à cidade.

Foi um destino de encantamentos: me envolvi no protagonismo de crianças e jovens. Por exemplo: no último ano da escola, eles recebem uma espécie de treinamento para cumprir dez meses de serviços comunitários. Faz parte do currículo! Além do exercício de cidadania, ganham meio salário mínimo e a experiência ainda pode se transformar em opção de trabalho: sempre tem os que querem continuar cuidando da casa profissionalmente.

 

Conheci, também, a Biblioteca El Tintal – dá vontade de morar lá! Sabe o que vi? Gibiteca, audioteca, salas infantis, de mídia, internet, estudo e até uma sonoteca. Porque como dizem todas as paredes de lá: “Ler é voar”. Mas o que mais gostei foi o que não vi: lâmpadas acesas. A iluminação é 100% natural e a população, mesmo atenta ao livro ou ao computador, está em contato com a natureza.

 

Amei os debates com especialistas nas áreas da arquitetura e urbanismo, assistência social, gestão, sociologia, direito, saúde, psicologia, comunicação e tantas outras, além de um passeio/aula no bairro em que me hospedei (o El Poblado), com um expert referência em cidadania cultural – duas vezes Secretário de Cultura na cidade.

 

Foram poucos dias, porém intensos e de muito aprendizado, troca e vivências que eu não poderia apenas guardar na memória. Trouxe tudo para a vida, o trabalho e agora compartilho um pouco nessas linhas.

 

Para falar em números, os dados que me acompanharam durante a viagem: em 1991 (exatamente: época de do senhor da droga colombiano) eram 6.349 homicídios para cada 100 mil habitantes. E, nesse lugar de aproximadamente 2,5 milhões pessoas, em 2016, o número passou para 535. São taxas, respectivamente, de 368,7 e 21,5, do gráfico histórico, ilustrado pela Prefeitura em reunião de trabalho, que levam sempre ao mesmo questionamento: como, em 25 anos, Medellín mudou tanto?

 

Precisamos saber, inclusive, porque este mês li uma matéria em um dos jornais locais que apresenta mais de 1000 homicídios, só em agosto, na nossa cidade. A resposta não é simples. Mas, penso que posso resumir dizendo que foram múltiplos os fatores e que todos eles têm algo em comum: comprometimento – do Poder Público e da sociedade – o que transformou as duas cidades colombianas em exemplaridade em urbanismo e inovação social.

 

Quando fiz a mesma pergunta em voz alta, o professor/guia Jorge Melguizo elegeu três desses compromissos: O Parque Explora – com sua interatividade que mistura ciência e tecnologia; as escadarias elétricas na periferia – que unem a população e exercem um simbolismo importante para os moradores que agora contam com 100% de saneamento e urbanização; e o sistema de mobilidade urbana – de altíssima qualidade e custo acessível. Ele lembrou, ainda, um fator-chave: o cultural – muito importante enquanto resistência pacífica e que trocou o medo pela esperança.

 

Também perguntei alto se o que revolucionou os números e a qualidade de vida foram as consequências nefastas do narcotráfico e o autor do livro que me levou a voar do Atlântico ao Pacífico, Murilo Cavalcanti, não exitou responder: “Exatamente. Parece que tiveram que chegar nos máximos indicadores de violência para Poder Público e coletividade se unirem num grande pacto pela pela vida”.

E agora, a pergunta é para todos nós: o que eu faço por Fortaleza?

Compartilhar
Flávia Castelo
Flávia Castelo
mãe, professora, advogada (OAB/CE 15.563), mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UFC) e doutora em Biotecnologia (RENORBIO/UFC/Universiteit Antwerpen). Assessora da Presidência do Instituto Dragão do Mar (IDM), colunista da Tribuna BandNews e da Tribuna do Ceará/UOL e colaboradora d’A Pulga.
NEWSLETTER
Receba os melhores conteúdos de empreendedor para empreendedor
Quem curte empreendedorismo e inovação assina.
PUBLICIDADE
CASOS DE SUCESSO
case03
Jorge Everton
Grupo Fox Design
VER CASE
case02
Andressa Mendes
Agência Talents
VER CASE
case01
Joel Maia
Corporate Maia Business
VER CASE
MAIS VISTOS
VÍDEOS
Receba Novidades
Cadastre seu e-mail e receba nossos conteúdos exclusivos.

*Não enviaremos spam

Parceiros
Localização
Rua Tomás Acioli, 1493
CEP: 60135-180
Fortaleza-CE
Redes Sociais
© inovamundo. Todos os direitos reservados.
Designed and developed by: Força Digital