Abordagens preditivas e ágeis no contexto das organizações exponenciais

Empresas como NETFLIX, UBER, WAZE, TESLA, AIRBNB, GOOGLE são categorizadas como exponenciais e como tal, são apontadas como referência de agilidade e adaptabilidade. Uma organização exponencial é aquela cujo impacto ou resultado é desproporcionalmente grande, frente aos seus pares, devido o uso de novas técnicas organizacionais que alavancam as tecnologias aceleradas (SALIM, 2015, p.19). Neste contexto falar em gerenciamento de projetos já é um desafio, mas o que falar quando temos que viabilizar nossas iniciativas de planejamento, no contexto das organizações exponenciais, onde os padrões de negócio desafiam os modelos convencionais?

O ponto de partida para a construção deste artigo destaca o papel dos projetos na consecução dos objetivos estratégicos e o alinhamento que estes devem ter junto as diretrizes determinadas. Conforme o Guia PMBOK 5º Edição (2013, p.9) “os projetos são freqüentemente utilizados como um meio de direta ou indiretamente alcançar os objetivos do plano estratégico de uma organização”. Assumindo a mesma lógica para as organizações exponenciais, vamos caracterizar as abordagens ágeis e preditivas, procurando aderência junto a três dos principais aspectos que caracterizam as organizações exponenciais: Autonomia, Propósito e Experimentação.

 

Autonomia

As organizações exponenciais conferem as suas equipes autonomia. Em geral essas são multidisciplinares e descentralizadas. Não é comum nestas organizações a presença de coordenadores, supervisores ou analistas plenos. Também se pode falar que as equipes são menores e mais independentes.

Em projetos preditivos, onde o produto a ser entregue é bem entendido, ainda é muito comum o papel do gerente de projetos nas estruturas organizacionais. Segundo Moura (2013, p.13) “Os tipos de organização são definidos em função da autoridade do gerente de projetos. Os tipos de organizaçao básico são: funcional, projetizada e matricial”

Nas abordagens ágeis fala-se no Scrum Master, este seria o especialista e responsável por garantir que todos da equipe sigam o processo. Segundo Massari (2016, p.8) “Não há ninguém parecido com o gerente de projetos em um projeto Scrum”. Percebe-se uma clara transferência de poder para a equipe do projeto. Nas abordagens ágeis equipes multidisciplinares e mulfuncionais resolvem problemas complexos de forma adaptiva e pela repetição (ERNSTEIN, BUNCH, CANNER E LEE, 2016). Nesta lógica, no limite, o papel do Scrum Master estaria muito mais voltado para o gerenciamento do processo que para o gerenciamento da equipe.

 

Propósito

Outra característica presente nas organizações exponênciais é a presença do PTM – Propósito Transformador Massivo. Percebe-se que a intenção não é uma melhoria incremental, mas gerar uma transformação em um grande número de pessoas, inspirando e atraindo admiradores dentro e fora da organização, por isso fala-se que ele é massivo e “transformador” e neste sentido diferente da tradicional missão. Em uma primeira avaliação, estas declarações parecem se alinhar com a tendência dos últimos anos de reescrever as declarações das empresas de forma a adotar um formato mais curto, simples e geral, mas, ao examinar de perto, você vai notar que as declarações possuem um sentido aspiracional. Nenhuma indica o que faz, mas o que aspira fazer (SALIM 2015, p.51). O melhor exemplo é o PTM do Google: Organizar a informação do mundo.

Os projetos preditivos na abordagem tradicional se utilizam das visões de projeto e de produto, que devem estar alinhadas com a visão da organização, por meio de documentos gerados no início do projeto em declarações textuais. Depois de criadas as visões, por meio de grupos de processos de monitoramento e controle, a intenção é manter as visões até o fim do projeto (AMARAL, CONFORTO, BENASSI, ARAÙJO, 2015). O enfoque está muito mais direcionado para uma descrição completa e inequívoca, que em um contexto massivo e transformador, como o das organizações exponenciais, deverá sofrer pressões por mudanças ao longo do tempo.

Nas abordagens ágeis as mudanças são vistas como necessárias. Segundo (AMARAL, CONFORTO, BENASSI, ARAÙJO (2015, p.61) “Apesar da visão também ser criada na fase inicial, existe um estímulo para que as equipes façam a revisão constante das visões de projeto e de produto, desde que estas não fujam dos objetivos do projeto” Esta é uma condição característica de organizações afeitas à inovação que melhor absorvem as constantes atualizações. Também percebemos, tanto no conceito Ágil, como no Propósito Transformador Massivo, a necessidade de uma visão desafiadora e motivadora, muito mais aderentes ao sentido aspiracional das organizações exponenciais que a visão rígida dos projetos preditivos.

 

Experimentação

Nas organizações exponenciais outra característica recorrente é a experimentação. A possibilidade de falhar antes para corrigir rápido se torna uma vantagem. A lógica de planejar e produzir parece está sendo contestada. Em projetos inovadores a possibilidade de testar a idéia antes parece vital. A constante experimentação e a iteração de processos são agora as únicas maneiras de reduzir o risco (SALIM 2015, p.87)

Pela abordagem preditiva o planejamento é realizado uma única vez no início do projeto. Segundo o PMBOK (2013, p.44) “Os ciclos de vida previstos são aqueles em que o escopo do projeto, bem como o tempo e os custos exigidos para entregar tal escopo são determinados o mais cedo possível no ciclo de vida do projeto”. Os objetivos são determinados no inicio do projeto, sendo alterados somente com controle formal.

Na abordagem ágil o planejamento é realizado no inicio e reavaliado sempre que necessário. Neste contexto prevalece a iteratividade, onde a idéia é identificar o produto final, do produto final um entregável e logo após ciclos do tipo construir, testar e validar. O foco está no produto, não há em essência o planejamento completo das atividades, entregas, recursos e o “faseamento” (AMARAL, CONFORTO, BENASSI, ARAÙJO (2011, p.25).

Em uma sociedade aonde a velocidade da geração, consumo e atualização do conteúdo informacional vem sendo ampliado exponencialmente em função da tecnologia, não é difícil explicar a inovação como uma das forças motrizes da nossa sociedade. È neste contexto que surgem as empresas exponenciais que tem exatamente na informação o seu principal ativo. É também neste sentido que se explica a necessidade dos ciclos adaptativos (ágeis) e a necessidade de iterações rápidas, capazes de reagir aos altos níveis de mudança e ao contínuo envolvimento das partes interessadas. Avaliando os projetos de natureza preditiva e as abordagens ágeis, percebe-se a forte aderência no uso do gerenciamento ágil em organizações exponenciais.

Apesar das tendências o contexto prevalece. Ainda não se pode falar no fim da abordagem preditiva. O frisson quando ao uso das abordagens ágeis se perde quando ignoramos o contexto e a natureza dos projetos com ciclos de vida previsíveis. Todavia, ainda existem aqueles projetos com menor teor de inovação e com grandes equipes, onde se faz necessário uma tratativa específica, em observância aos ciclos de vida inteiramente planejados.

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Carlos Márcio Campos Lima
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