Ceará desponta como referência em Ciência e Tecnologia e integra centro de pesquisa em Portugal.

Investir em ciência e tecnologia e tornar o conhecimento científico acessível aos brasileiros têm sido uma aposta, já que o setor é decisivo para a retomada do crescimento no país. Apesar das contínuas reduções nas verbas e investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) promovidas pelo atual governo federal, a boa notícia é que o Ceará vai na contramão desta realidade, ao aumentar os investimentos públicos no setor. Somos referência nacional em iniciativas de democratização e empreendedorismo na área.

 

Para o alcance desse propósito, várias ações estão sendo colocadas em prática pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) que vem desempenhando o papel de articuladora, orquestrando toda a cadeia cearense de ciência, tecnologia e inovação e promovendo ações que afetam esse setor vital para as intenções do Estado de modo positivo.

 

O trabalho da Secitece é realizado na Capital e no Interior em conjunto com suas instituições vinculadas: Universidade Estadual do Ceará (Uece), Instituto Desenvolvimento, Estratégia e Conhecimento (IDESCO), Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Universidade Regional do Cariri (Urca), Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação (ITIC) e Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec). As iniciativas incluem lançamentos de editais de apoio à inovação, concessão de novas bolsas de estudo para pós-graduação; e o incentivo ao empreendedorismo digital dos jovens, por meio do programa Corredores Digitais, dentre outras.

 

O IDESCO tem se destacado como uma instituição de ciência e tecnologia na colaboração, parcerias e o apoio logístico. Em 2016, juntamente com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) de Portugal aprovou o financiamento de nove projetos científicos cearenses e o Estado é integrado em uma plataforma internacional de ciência e tecnologia instalado pelo Governo Português no arquipélago dos Açores, o Azores International Research Center (AIR Center). 

 

Assim, o AIR Centre no Estado do Ceará, se caracteriza como uma rede científica que atende a esforços internacionais de cooperação científica e universitária existente entre Portugal e o Ceará, direcionada para os estudos e pesquisas do espaço, oceano, atmosfera, clima, energia e dados, considerando o potencial desta região e o seu posicionamento geoestratégico do Oceano Atlântico.

 

 

A inclusão do Ceará nesse megaprojeto global de estudos e pesquisas têm como origem uma missão científica e diversos eventos realizados em conjunto, desde 2012, por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e do IDESCO, juntamente com pesquisadores do Center for Innovation, Technology and Policy Research (IN+), do Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST), que até 2015 era dirigido pelo atual Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, professor Manuel Heitor.

 

O IDESCO manteve os primeiros contatos com o professor Manoel Heitor em 2011, quando as duas instituições estiveram juntas para discutir ideias de trabalho conjunto, logo após o Idesco ter organizado e realizado um evento sobre desenvolvimento, com base na Triple Helix, que reuniu 25 pesquisadores de toda a América do Sul, Portugal, Espanha e EUA. Em 2012, sob a orientação do ministro português houve um Road Map sobre Cidades Inteligentes em 44 projetos por 4 países europeus (Portugal, Espanha, Holanda e Finlândia).

 

Em 2015, foi realizado em Fortaleza um workshop chamado INOVA-Ação Ceará com a presença de Manoel Heitor, pesquisadores cearenses e portugueses do IST – Universidade de Lisboa sobre o tema inovação e desenvolvimento. E a partir de 2016, o IDESCO começou a participar das atividades e projetos do AIR Centre, como AIR em Praia (Cabo Verde), Las Palmas (Ilhas Canárias, Espanha) e Lagos (Nigéria); a primeira com a apresentação do projeto MarChange do Labomar-UFC. Destaca-se, ainda, o Road Show realizado em Portugal para conhecer o ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação, organizado pelo Idesco, com a presença de vários empresários do Estado e do próprio Secretário de Ciência e Tecnologia do Ceará.

 

O instituto cearense manteve-se interessado e integrado nos caminhos do Air, tendo como um dos compromissos a viabilização do AIR Centre no Ceará, incluindo a interveniência para a assinatura do Memorando de Entendimento (MOU) entre a Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT) de Portugal e a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece). Esses esforços levaram o IDESCO a compor a rede de Branch Offices do AIR e, na UECE, constituir um Laboratório de Pesquisa na área da Economia do Mar (BlueLab-Br), com as vertentes da inovação, sustentabilidade e cidades costeiras.

 

 

Considerando a importância da IDESCO como uma instituição de Ciência e Tecnologia, ser a primeira instituição cearense a compor a rede de Branch Offices do AIR Centre e o posicionamento geoestratégico do Ceará para a observação, estudos, pesquisas e negócios para o Atlântico Sul; o Prof. Dr. Samuel Façanha concede entrevista exclusiva para o Inova Mundo.

 

O diretor de inovação e tecnologia do IDESCO comenta sobre o desempenho e projetos que o instituto realiza no Ceará; o potencial de crescimento em ciência e tecnologia; a inovação na gestão inteligente de cidades; o que levou a instituição a compor a rede Branch Offices do AIR Centre de Portugal e o que o ICT cearense pretende nos próximos 5 anos para fomento da ciência, da tecnologia e inovação no Estado.

 

 

IM – Sendo uma instituição de ciência e tecnologia, quais os projetos que o Idesco já realiza no Estado?

Samuel Façanha – O Idesco trabalha principalmente em projetos, desenvolvimento e inovação (PD&I) nas áreas: de gestão, da tecnologia da informação e comunicação e mais recentemente começamos a desenvolver projetos em biotecnologia e energias renováveis, em parceria com algumas outras ICTs do Estado. O Idesco também atua no estímulo à inovação e formação de startups, por meio de seu programa de Venture Building.

 

IM – Segundo o Índice de Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), divulgado no dia 13 de maio deste ano, o Ceará figura a 16ª colocação no que diz respeito à inovação considerando todo o País. Na sua visão, o Estado tem potencial para crescer ainda mais em ciência, tecnologia e inovação?

 

Samuel Façanha – O Ceará tem plenas condições de avançar em seus resultados relacionados à inovação. Temos avançado em maior colaboração entre nossas ICTs e Empresas. Teremos até 2027 uma substancial aplicação de recursos do Governo do Estado em Ciência,Tecnologia e Inovação pela efetiva aplicação das receitas nesta área cumprindo legislação que já existia no Estado. Contudo, precisamos de um maior planejamento da aplicação destes recursos com maior participação de todos atores do ecossistema de inovação do Estado.

 

IM – Ainda segundo o estudo da Fiec, aponta que a quantidade de artigos científicos e as patentes do Ceará estão abaixo da média nacional. Porque esse fato acontece? Como converter isso em mais inovação e desenvolvimento tecnológico para o Estado?

 

Samuel Façanha – O mais relevante não é quantidade de patentes mais suas capacidades de gerarem inovação. Assim, precisamos aprimorar os processos de colaboração entre ICTs e Setor Empresarial, criando não só mais patentes, mas.principalmente patentes que de fato transfiram tecnologia para soluções inovadoras na sociedade.

 

IM – O Idesco desenvolve várias pesquisas científicas sobre a inovação na gestão inteligente de cidades, democracia participativa e administração pública. Já é uma realidade a inovação na gestão pública no Ceará?

 

Samuel Façanha – De fato pesquisadores associados ao IDESCO e a Uece vem trabalhando neste tema, mas não podemos dizer que o Ceará tenha plena capacidade absortiva não somente no setor público, mas também no setor privado. Assim, temos que continuar neste esforço conjunto e contínuo de melhoria neste campo.

 

IM – O Idesco é o primeiro ICT cearense a compor a rede de Branch Offices do AIR Centre, uma rede de cooperação científica internacional para estudos e pesquisas do Oceano Atlântico. O que isso tem de importância para a Ciência e Tecnologia do Ceará?

 

Samuel Façanha – Na verdade, o Idesco é o primeiro do Brasil. Embora, já venhamos a algum tempo trabalhando no Ceará para conectarmos nossos pesquisadores com esta importante rede internacional de pesquisas no Mar, com a chancela como Branch Office nos coloca como oficialmente representantes desta rede e daí poderemos atuar de forma mais intensa neste esforço.

 

IM – O que o Idesco pretende nos próximos 5 anos para fomentar o crescimento da ciência, da tecnologia e inovação no Estado?

 

Samuel Façanha – O Idesco pretende intensificar seus projetos de P&D e Inovação nas áreas já mencionadas, mas especificamente atuando em estratégias de internacionalização em suas parcerias e trabalhando junto aos empreendedores tecnológicos e de base científica que queiram criar negócios e valor de forma sócio e ambientalmente sustentável.

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Sara Café
Sara Café
Jornalista do Inova Mundo
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