HealthTechs, as startups que revolucionam a saúde no Brasil.

A tecnologia e os novos modelos digitais vêm sendo usados em diversos mercados e com diferentes objetivos. A área da saúde é um desses segmentos e sua aplicação pode ajudar a reduzir custos, oferecer mais dados relevantes aos profissionais de saúde no momento do diagnóstico e também melhorar o atendimento do paciente, levando benefícios a todos os atores envolvidos.

 

Segundo dados da Conta-Satélite de Saúde Brasil 2010-2015, divulgados pelo IBGE no fim de 2018, o consumo final de bens e serviços de saúde no país cresceu e atingiu R$ 546 bilhões, o equivalente a 9,1% do PIB. Deste total, R$ 231 bi (3,9% do PIB) corresponderam a despesas de consumo do governo e R$ 315 bi (5,2% do PIB) a despesas de famílias e instituições sem fins de lucro a serviço das famílias. O Sistema Único de Saúde (SUS) que atende cerca de 190 milhões de pessoas, enfrenta empecilhos como limitação do orçamento, problemas na administração dos recursos e gestão das unidades.

 

As HealthTechs, empresas que trabalham com soluções de tecnologia para a área da saúde, é um dos setores com maior potencial de crescimento no Brasil, muitas delas estão sendo criadas por empreendedores, alavancando o mercado. Diversas soluções têm sido estudadas e desenvolvidas, desde de atendimento aos pacientes até sistemas de diagnósticos baseados em inteligência artificial e o aprendizado de máquinas para análise de dados (machine learning), já têm mostrado avanços relevantes ligados à telemedicina, testes genéticos e diagnósticos por videoconferência.

 

Na lista, entram ainda a possibilidade de impressão 3D de órgãos e próteses, robôs que incentivam pacientes a adotarem hábitos saudáveis por meio de gadgets, leitores de exames de imagem com um poder de visão tão apurado em comparação ao olhar humano, pulseiras que monitoram epiléticos e avisam uma possível convulsão e testes tão precisos que conseguem detectar uma série de possíveis problemas que uma pessoa pode ter.

 

Há muito a ser explorado, principalmente na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), procurando mais eficiência nos processos. Esta é uma parcela importante dentro da cadeia de saúde para a obtenção de novas moléculas e o surgimento de novos fármacos, constituindo os custos mais elevados dentro do setor farmacêutico.

 

Virtualização da Saúde

 

O Governo brasileiro tem agido no sentido de informatizar e centralizar as informações de saúde por meio de prontuários digitais acessíveis a toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Até o final de 2018, mais de 42 mil clínicas públicas em todo o território nacional contarão com a digitalização dos dados, economizando cerca de US$ 6,8 bilhões dos cofres públicos, segundo o Banco Mundial. No final de 2018, apenas 30 milhões de cidadãos brasileiros possuíam registros médicos eletrônicos e quase dois terços das clínicas de atenção primária não tinham acesso ao prontuário eletrônico de seus pacientes.

 

No âmbito da digitalização dos prontuários, a startup iClinic ajuda os profissionais de saúde a reunirem em um só lugar os registros de seus pacientes, armazenados na nuvem e acessíveis em qualquer dispositivo. Utilizado em muitas clínicas do Brasil, agora o serviço está em expansão e já atende a mais de 20 diferentes países.

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil também sofre com a falta de digitalização das prescrições médicas, sendo que 70% dos tratamentos têm potencial para erros por falta da virtualização das receitas, o que faz com que o país tenha altas taxas de mortalidade devido a erros de medicação.

 

Para fornecer soluções para esse problema, a Memed, plataforma utilizada por mais de 55 mil profissionais de saúde em todas as especialidades, fornece auxílio na prescrição medicamentosa, alertando para interações entre drogas e possibilidade de alergias, aumentando a adesão dos pacientes ao tratamento.

 

Hub de inovação em saúde

 

A palavra hub já entrou no vocabulário do cearense. O Estado, que já é referência no setor aeroviário e o portuário, desponta na formação de empresas de tecnologia da área da saúde. O ICC BioLabs é pioneiro no Norte/Nordeste na criação de um núcleo de inovação na área da saúde. A missão da empresa é ser um agente apoiador e transformador deste mercado.

 

O hub, que está sob nova administração de Marina Lecas, com a missão de gerenciar o espaço e orientar as startups que desenvolvem soluções na área da saúde. “No ICC Biolabs, desenvolvi um olhar mais cuidadoso e preciso para o mercado de saúde. O que vem nos ajudando a buscar diferentes frentes para incrementar soluções inovadoras, com o objetivo de acelerar esse mercado em escala nacional e transformar a saúde das pessoas.Aqui dentro valorizamos muito pessoas inconformadas, inovadoras e criativas, que tenham uma mente de colaboração e participação”, aponta Marina.

 

O ICC Biolabs proporciona todo um ambiente de inovação, trazendo também aceleração, mentorias e orientações para que essas startups entrem em um mercado tracionado, acompanhando as dores e diagnosticando o momento em que essas empresas vivem, para guiá-las da melhor forma. Através da Jornada Biolabs, as startups passam por diversas mentorias, assessorias e orientações que visam estruturar e escalar suas ideias e soluções de forma robusta e responsável.

 

“Um dos nossos papéis é criar essa inquietação para a inovação no dia-a-dia. Boas ideias têm um potencial incrível, que podem transformar mercados e o cotidiano das pessoas. Quando falamos de Inovação, estamos guiando uma melhoria contínua, seja uma simples inovação em processo até a  implementação de inteligência artificial para auxiliar no tratamento de câncer. A inovação está nos detalhes”, conclui Marina.

 

Desafios e esperanças

 

É nesse cenário que as healthtechs desempenham um papel fundamental na busca de inovação das empresas de saúde. Entretanto,  as empresas ainda enfrentam alguns desafios, como a burocracia característica do setor e a resistência cultural na hora de colocar as tecnologias em prática. É preciso integrar e gerar todo um ecossistema que permita às empresas maiores trocarem parte do seu know-how pelas visões diferentes e muitas vezes inovadoras dessas companhias iniciantes. 

 

Projetos científicos em estágio incipiente nas universidades podem e irão se tornar realidade se eles se conectarem ao mundo. O mercado brasileiro para as healthtechs tem um potencial incrível. E nenhum setor, por mais regulado que seja, pode abrir mão da contribuição intelectual de outros participantes. As healthtechs tem um papel importante de ajudar essas empresas com seu know-how regulatório para criar soluções que beneficiam a cadeia e a sociedade como um todo.

 

 

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Sara Café
Sara Café
Jornalista do Inova Mundo
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