Soluções tecnológicas voltadas para segurança pública auxiliam no combate ao crime.

Em fevereiro deste ano, duas secretarias do governo do Ceará anunciaram convênio para o compartilhamento de dados. A informação, surpreendente por revelar que pastas importantes para o desenvolvimento do Estado ainda não trocavam informações estratégicas. No lugar de investigações isoladas e ações difusas, as secretarias da Fazenda (Sefaz) e da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), auxiliadas pela inteligência artificial (IA), enfrentarão, juntas, criminosos especializados em evasão fiscal.

 

Sefaz e SSPDS estariam fazendo a transição para os primeiros passos rumo ao uso mais consistente de inteligência artificial na lida com tributo e com segurança pública. Seriam as secretarias que mais mostraram interesse pelo desenvolvimento de IA para produzir resultados no dia a dia da máquina pública. O Spia é a primeira experiência de integração e compartilhamento de dados, em tempo real, de órgãos públicos das três esferas: SSPDS, Sefaz e Detran, AMC, PRF e Denit.

 

“A troca de informações possibilitará uma ação coordenada para combater a sonegação e o crime organizado, irmãos gêmeos em uma sociedade complexa. Ainda mais quando se fala em uma construção compartilhada de sistemas de controle e acompanhamento”, definiu Fernanda Pacobahyba, secretária do Centro Integrado de Informações e Operações Fiscais (Ciof). 

 

Em seu segundo mandato como governador do Ceará, o discurso de Camilo Santana (PT) em relação aos investimentos em pessoal, em logística e tecnologia na SSPDS nunca bateu com os resultados. A urgência de respostas mais eficientes para a segurança pública, Camilo Santana disponibilizou R$ 7,5 milhões, recurso alocado da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) para o desenvolvimento de pesquisa científica na segurança pública em dois anos, de 2018 a 2019.

 

Uso prático da tecnologia na área de segurança

 

O uso da tecnologia e a aplicação de novas estratégias contra o crime, reforçaram o Ceará na utilização de soluções tecnológicas aplicadas à área da segurança pública. Fator que influenciou ainda na melhoria dos indicadores criminais de 2018, em todo o Estado. Entre as ferramentas está o Spia e o sistema de videomonitoramento, que está em fase de expansão na Capital e está em pleno funcionamento em 42 cidades da Região Metropolitana de Fortaleza e do Interior.

 

A estratégia de combate à mobilidade do crime alia o uso do Sistema Policial Indicativo de Abordagem (Spia) – inteligência artificial que identifica, de forma automatizada, a presença de veículos roubados, furtados ou clonados; o acompanhamento em tempo real das imagens do videomonitoramento, por meio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops); e as ações ostensivas na rua com o aumento do efetivo do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio) e da Força Tática (FT), ambos da Polícia Militar do Ceará (PMCE), e também das Unidades Integradas de Segurança (Unisegs).

 

O secretário André Costa também apresentou o Projeto Segurança Pública Integrada (SPI), desenvolvido pela SSPDS, junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF) e à Universidade Federal do Ceará (UFC), que visa possibilitar o mapeamento de condutas delitivas em infinitos cenários, facilitando a gestão eficiente dos recursos de policiamento, investigação e inteligência. “Hoje, o Ceará vai na contramão do restante do País, pois é um Estado que, cada vez mais, tem dado importância e investido em ciência e tecnologia em benefício de áreas como saúde, educação e segurança pública”, finaliza o secretário André Costa.

 

Programa Cientistas Chefes

 

Sete áreas consideradas estratégicas e, ao mesmo tempo, críticas para o desenvolvimento econômico e social do Estado estão recebendo, desde o ano passado, um reforço. Criado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), o programa Cientista Chefe disponibilizou, um pesquisador e equipes para agregar ciência a projetos das pastas.

 

Para cada uma das sete secretarias foi nomeado um pesquisador de comprovado conhecimento científico que divide o dia a dia na universidade (pública ou privada) com demandas da administração pública estadual. Segundo Tarcísio Pequeno, presidente da Funcap, esse pesquisador coordena cientistas mais jovens, alunos de mestrado, de doutorado e doutores recém-formados para desenvolver um ou mais projetos estratégicos com o uso da inteligência artificial.

 

Por enquanto, estão contempladas as pastas da segurança pública, saúde, educação, recursos hídricos, energia, pesca, tributo e planejamento. “O cientista chefe e o secretário podem definir mais de um projeto para ser desenvolvido em 18 meses. Na Secretaria da Educação há quatro, na Saúde temos dois, um deles é o Aedes em Foco”, explica Pequeno.

 

Big Data Ceará

 

Pelo menos 50 cientistas da Universidade Federal do Ceará e mais servidores da SSPDS e da Polícia Rodoviária Federal estão trabalhando em soluções de inteligência artificial para a segurança pública. Segundo Tarcísio Pequeno, presidente da Funcap, são estudos, por exemplo, para reconhecimento mais eficaz de imagens, tanto de veículos como de pessoas. Ou sistematização de padrões que permitam buscas mais rápidas e abordagens mais assertivas de criminosos e suspeitos.

 

O presidente da Funcap prevê que, num futuro próximo e com a integração de tecnologias e dados de vários órgãos, o Estado terá o Big Data Ceará. Um arquivo gigantesco de dados conectados. “Vai-se poder estabelecer uma gama de conexões que o ser humano não enxerga e a máquina não deixa passar. Começaremos a identificar, por exemplo, alguns “clusters” (grupos) e as correlações deles com pessoas e padrões”, projeta Tarcísio Pequeno.

 

A SSPDS, por uma necessidade gritante, partiu na frente juntamente com a Sefaz em relação a outras áreas do governo cearense. Na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) em parceria com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará, de acordo com Tarcísio Pequeno, está sendo gestado o Big Data Ceará. Uma nuvem onde estarão hospedados dados produzidos por todos os órgãos da administração pública estadual. “Ferramenta que possibilitará o cruzamento de informações estratégicas para qualquer governo”, prospecta.

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Sara Café
Sara Café
Jornalista do Inova Mundo
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