Saúde com tecnologia agiliza e humaniza atendimentos

Foco no doente e atendimento agilizado são benefícios atribuídos à implantação crescente da tecnologia na relação médico-paciente. As plataformas chegaram à área da saúde para atuar em funções consideradas repetitivas, como a preparação de aparelhos para procedimentos, e que ocupam um tempo importante na rotina dos profissionais. Com a ajuda das máquinas, o setor humaniza cada vez mais as consultas.

 

O tema ganhou a programação da feira Expo-Hospital Brasil, a ser realizada em setembro na capital mineira. O anestesiologista Diógenes de Oliveira Silva, um dos palestrantes do evento, afirma ser possível transformar números e diagnósticos de prontuários em informações essenciais para a assistência prestada.

 

CEO da startup de tecnologia Anestech Innovation Rising, o especialista criou uma ferramenta usada por anestesistas nas cirurgias. O recurso permite coletar registros sobre o doente que, em um banco de dados, gera estatísticas para promover o bem-estar da pessoa operada, reduzindo até mesmo efeitos colaterais decorrentes dos procedimentos. “Por exemplo, se constatado que 50% dos enfermos têm náuseas, os profissionais precisam de estratégias para evitar esse mal”, esclarece. “Não se trata da substituição do homem. Um robô não sabe olhar nos olhos e compreender necessidades do enfermo” completa o anestesiologista. 

 

Precisão

 

Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed), Carlos Alberto Goulart destaca a modernização no setor. “O médico conversa com o paciente e entende os problemas na essência, enquanto a máquina faz um laudo preciso e instantâneo”, frisa. 

 

Maior precisão também é destacada no uso de robôs em cirurgias complexas. No Brasil há pouco mais de uma década, as máquinas possibilitam retirar tumores e ajudar em uma recuperação mais rápida, observa Daniel Bonomi, professor de Cirurgia de Tórax da Faculdade de Medicina da UFMG. Na Expo-Hospital Brasil, ele vai abordar a robótica no tratamento dos cânceres que afetam a região do pulmão. “A tecnologia proporciona uma visão tridimensional do tumor e do órgão afetado, através de quatro incisões de oito milímetros no tórax”, explica.

 

Submetida a um procedimento do tipo no início deste mês, a aposentada Ângela Maria Teixeira, de 73 anos, destaca os benefícios. “Recebi alta em cinco dias”, conta. Em uma operação convencional, a idosa sofreria cortes extensos, a recuperação seria mais dolorosa e com maior chance de infecções e outras complicações. “Não tive sangramentos, dor ou qualquer problema durante e após a intervenção”, acrescenta Ângela.

 

Realidade Virtual

 

A cirurgia plástica também é beneficiada pela tecnologia. Com a realidade virtual, tão conhecida no mundo dos games, é possível mostrar o provável resultado de um procedimento estético. “Consigo escanear imagens do paciente em 3D e estudar melhor as possíveis intervenções a serem feitas”, diz Mariana Sisto Alessi, especialista em anomalias craniofaciais do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte. A médica é uma das palestrantes da feira Expo-Hospital Brasil. A profissional ainda destaca que a tecnologia também está na impressora tridimensional, na utilização de células-tronco, nos medicamentos e em materiais sintéticos de implantes, que “estão cada vez mais compatíveis com o corpo humano e em simetria com o natural”.

 

2020 é o ano da tecnologia voltada para a longevidade

 

Ano passado, Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook tiveram 41% do seu faturamento nos Estados Unidos – algo em torno de 150 bilhões de dólares, o equivalente a 600 bi de reais – vinculados ao chamado “mercado da longevidade”. Traduzindo: o público acima dos 50 anos está cada vez mais ativo, presente e sedento de ferramentas e informações voltadas para um envelhecimento saudável. E quando se fala de bem-estar nessa fase da vida, estamos nos referindo a quatro pilares que merecem atenção: físico, mental, social e financeiro.

 

Diante desse cenário, será realizado em Londres, em abril do ano que vem, a segunda edição do Longevity Leaders World Congress. O evento reunirá as maiores autoridades mundiais no campo da longevidade, de cientistas a investidores e CEOs de empresas de seguros. Seus organizadores apostam que 2020 será o ano em que a “age tech”, isto é, a tecnologia a serviço do envelhecimento, ganhará tanta visibilidade quanto as “fintechs”, as startups financeiras que são as queridinhas do mercado.

 

O congresso pretende se debruçar sobre um tripé: a ciência do envelhecimento (ageing science) e seu potencial de novos tratamentos que aumentem a expectativa de vida; bem-estar na velhice (ageing well), que inclui os produtos e serviços voltados para este segmento; e os riscos da longevidade (longevity risk), com as métricas do impacto econômico desse processo. Afinal, uma humanidade mais longeva exige saídas para viabilizar que as pessoas tenham a segurança financeira de que precisam.

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Sara Café
Sara Café
Jornalista do Inova Mundo
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